PermutaPro · Auditoria Interna · v1

Auditoria do Escritório de Projetos

Diagnóstico das viabilidades de permuta no Drive compartilhado — onde a carteira está hoje, o que está sistematicamente errado, e o que corrigir antes de seguir negociando.

11 de julho de 2026 Para: Diretor de Operações & Gerente de Projetos De: JR Ortiz Uso interno
130planilhas de viabilidade auditadas
12unidades no escopo
627arquivos no Drive auditado
8problemas sistêmicos identificados

Escopo e método

Ressalva de leitura: parte das planilhas Google veio truncada pela ferramenta de extração (corta entre o passo 03 e o 05 do template). Em Balneário Camboriú e Barra Velha/Piçarras, "VGV/permuta vazio" pode ser corte de leitura, não ausência real no arquivo original. Curitiba, Rio de Janeiro, Pelotas, São Paulo, Porto Alegre, Palhoça e Itajaí Pégaso foram lidas por inteiro (exportação completa) — nessas, os números são finais.

Diagnóstico por unidade

Uma linha por unidade: quantos estudos existem e o estado geral encontrado.

UnidadeProjetosEstado geral
Itajaí (Pégaso)19A unidade mais madura da carteira. Quase todos os estudos com lucro líquido fechado (26–35%). Vício remanescente: cenários alternativos sem indicação de qual vale, e zoneamento em branco nos estudos mais novos.
Curitiba12Estado bom — já opera em template v11, com prazos realistas. Vício: terrenos precificados de 39% a 110% acima do valor de região; permeabilidade zerada em 7 dos 12 estudos.
Rio de Janeiro10Financeiro completo em todos os 10, mas nenhum estudo está com o %CUB dentro da faixa ideal — e a aba Proprietário está com fórmula quebrada nos 10.
Florianópolis16 + 4As planilhas Google não fecham o ciclo financeiro; o resultado só existe nos 4 arquivos xlsx locais. Gabarito urbanístico estourado em 12 dos 14 estudos verificáveis.
Barra Velha / Piçarras26A unidade mais frágil da carteira. Estudos de massa com limites urbanísticos estourados (até 440% dos pavimentos permitidos); apenas 1 dos 26 tem VGV fechado.
Balneário Camboriú8Clonagem sem higiene — 4 dos 8 estudos carregam identificação de outro projeto. Bug de fórmula recorrente no bloco de mezanino.
Itajaí (Axion)17Reciclagem pesada — projetos inteiros colados em terrenos diferentes do original. Apenas 2 dos 17 fecham a conta financeira.
Pelotas5O passo 04 do template (área computável) está com erro de fórmula nos 5 estudos. 2 dos 5 projetos têm margem baixa ou negativa nos cenários de referência.
Palhoça2O maior negócio identificado em toda a carteira (VGV acima de R$ 850M), mas circulando em 2 versões com números divergentes.
São Paulo / Porto Alegre3Os 3 estudos estão completos. O terreno de Barueri está precificado 214% acima da região. Porto Alegre é o melhor exemplo de template limpo em toda a auditoria.

Os 8 problemas sistêmicos

Padrões que se repetem em várias unidades sem contato entre si — não são casos isolados de uma planilha ou de uma pessoa.

3.1Clonagem sem higiene — o vício nº 1 do setor

Planilha nova é criada copiando outra, e o cabeçalho e os resíduos de dados não são limpos.

  • ~25 planilhas carregam a identificação de outro projeto — exemplos: Coppi e Santa Regina exibem "BEIRARIO-9497"; 4 planilhas do Axion exibem "Heitor Liberato 1010"; o projeto 60 de Barra Velha é, no conteúdo, uma planilha de Curitiba ("CWB-CENTRO-990").
  • Resíduos numéricos herdados: área real fantasma de 4.583,46 m² em 3 planilhas de Balneário Camboriú; "2.049,03" em 3 de Florianópolis; o trio "262,74 / R$ 16.000 / R$ 6.107.600" copiado idêntico em 4 de Florianópolis; "VGV R$ 95M / 180,95 aptos" em 4 de Pelotas; o projeto de Atibaia inteiro dentro do arquivo de Penha 528.
  • Risco concreto: qualquer relatório ou proposta gerado a partir do cabeçalho sai com o terreno errado.
3.2Premissas default nunca ajustadas (template v10)
  • Obra de 60 meses + lançamento de 36 meses em praticamente 100% dos estudos em template v10 — inclusive para um prédio de 4 pavimentos (Santa Teresa) e para um estudo de 33 unidades. Isso distorce valor presente e a comparação entre projetos.
  • Permeabilidade utilizada em 0% na maioria dos estudos — 18 de 19 no Pégaso, todos os de Barra Velha, 7 de 12 em Curitiba — inclusive onde a exigência é de 50% do terreno.
  • O template v11 (Porto Alegre, Curitiba 05–11, Palhoça) já usa 18/36 meses — a correção existe; falta migrar o restante da carteira.
3.3Medição real do terreno não é feita
  • Campo de área real vazio na maioria absoluta das planilhas: 9 de 14 no Axion, todas as do Google em Florianópolis, 6 de 12 em Curitiba, todas as 10 do Rio de Janeiro.
  • Onde a medição foi feita, a diferença encontrada é grande: Peroba -43%, Beirario -52%, Nossa Senhora Conceição -35,6% — e a fórmula da célula de diferença está quebrada (mostra 0,00 mesmo havendo divergência real). Em permuta, esse é o dado que define o negócio.
3.4Limites urbanísticos estourados dentro da própria planilha
  • Pavimentos utilizados acima do permitido declarado na mesma planilha: Florianópolis 113–375%, Barra Velha 188–440%, TheCorner (coeficiente) 152%, Cambuatas (coeficiente) 186%, Porto Belo (área computável) ~200%.
  • Taxa de ocupação acima de 100%: Rio de Janeiro 149–184%, Barra Velha 127–169%, Poetsch 116%.
  • Ou o parâmetro do plano diretor foi lançado errado na planilha, ou o desenho apresentado é ilegal como está. Nos dois casos, o VGV calculado não se sustenta.
3.5%CUB fora da faixa-alvo (110–120%) em metade da carteira
  • Abaixo da faixa (custo subestimado, o que infla o lucro calculado): Colinas 0A em 106%, Dom Joaquim em 88,9%, Dário Velloso em 97%, Santa Cruz em 102,7%.
  • Acima da faixa (custo estourado): Cascadura em 133,5%, Campinho em 131,4%, Maringá em 130%, a série 82–84 de Barra Velha entre 128% e 131%.
  • No Rio de Janeiro, nenhuma das 10 planilhas está dentro da faixa. O indicador existe no próprio template e não está sendo usado como trava.
3.6Fórmulas quebradas de fábrica, propagadas pelo template
  • A aba "Proprietário" — a página que se apresenta ao dono do terreno — está com cerca de 104 a 107 células em erro (#REF!) em todas as 10 planilhas do Rio de Janeiro, e em metade das do Pégaso.
  • O passo 04 do template (área computável) está com erro em todas as 5 planilhas de Pelotas; a célula de diferença matrícula×real está quebrada; o subtotal do bloco de mezanino zera mesmo com linhas preenchidas em Balneário Camboriú, subestimando o custo em R$ 2,6M a R$ 5,5M; a outorga aparece negativa em valores absurdos (Barra Velha 73: -R$ 26M; Barra Velha 79: -R$ 181M; Florianópolis 17: coeficiente de -13.667 m²).
3.7Cenários e versões sem decisão registrada
  • O projeto BFP tem 4 VGVs diferentes no mesmo estudo (de R$ 155M a R$ 304M) sem indicação de qual vale. Atibaia: versão única (R$ 806M) contra versão faseada (R$ 717M). Barra Velha 2026-73: as versões 16 e [0B] divergem 32% no VGV. São Roque: 3 custos de terreno diferentes (R$ 5,5M / R$ 18M / R$ 72,9M) no mesmo passo do template. Palhoça: xlsx (R$ 693–847M) contra Google (R$ 859M).
  • O padrão se repete: os cenários ficam todos vivos dentro do arquivo, e ninguém marca qual é o oficial.
3.8Preço de venda acima da praça, como regra
  • Maringá a R$ 14.500–19.000/m² (o próprio ITBI citado na planilha aponta R$ 9.000/m²); Colinas de Camboriú a R$ 14.000–16.000/m²; Santa Teresa a R$ 13.000/m² (área tombada, APAC); Pelotas a R$ 8.800–10.000/m²; Porto Alegre a R$ 15.300/m²; Vila do Pan a R$ 15.000/m²; Tabuleiro-Camboriú a R$ 14.000/m².
  • E terrenos precificados muito acima da região: Juvevê +94%, Bigorrilho +110%, Batel cerca de 2×, Barueri +214%, Rua Brusque +284%.
  • Efeito combinado: margens de 28% a 36% que só existem no papel, sustentadas por essas duas premissas otimistas ao mesmo tempo.

Diagnóstico por projeto

Projetos com o maior desvio em relação ao padrão da carteira — pra cima, quando o resultado financeiro se sustenta, e pra baixo, quando o número não se sustenta. Ordenados por materialidade financeira, não por atratividade comercial.

Resultado validado o número fecha ponta a ponta
Premissa a verificar margem alta demais para confiar sem checar
Parâmetro estourado não usar sem refazer o estudo
01Itajaí Praia Brava — 13.807 m² (planilha “12”)
Resultado validado
VGV R$ 1,158 bi · Lucro R$ 354,8M (30,6%)

Permuta de 13% (R$ 150,6M) · 604 unidades a R$ 21 mil/m², dentro da faixa de mercado da Brava.

PendênciaMaior VGV fechado da carteira. Existe um 2º cenário, chamado de “boutique”, no mesmo terreno, com lucro de 46% — ver grupo Premissa a Verificar, abaixo. É preciso registrar qual dos dois cenários vale e medir a área real do terreno, ainda não levantada.
02Palhoça — Pedra Branca, 54.167 m²
Resultado validado
VGV R$ 693–859M · Lucro R$ 162–294M (23–34%)

Duas versões do mesmo terreno circulando com números diferentes: um arquivo xlsx local e uma planilha Google de 3 abas.

PendênciaReconciliar as duas versões antes de qualquer conversa com o proprietário. No arquivo xlsx, comprar o terreno por R$ 17M rende R$ 48–63M a mais de lucro do que permutar.
03Rio de Janeiro — Del Castilho, remembramento (7.990 m²)
Resultado validado
VGV R$ 315,7M · Lucro 38,4%

Os 3 lotes vizinhos, avaliados isoladamente, rendem entre 28% e 31% cada; juntando os três num único terreno, a margem sobe para 38,4%.

PendênciaO estudo do remembramento tem um déficit de 255 vagas de garagem — falta o custo do embasamento correspondente — antes de poder ser levado adiante.
04Rio de Janeiro — Vila do Pan, 39.174 m²
Resultado validado
VGV R$ 743,8M · Lucro R$ 271M (36,4%)

O modelo está estruturado como aporte em dinheiro de R$ 62M — não como permuta.

PendênciaO preço de venda por m² é otimista e a área de lazer é de apenas 0,15 m² por unidade — os dois pontos precisam ser checados antes de qualquer negociação.
05Curitiba — Batel, lotes fundidos (nº 80 + 144)
Resultado validado
VGV R$ 110M · Lucro 31,4%

Mesmo pagando 20% de permuta, o estudo com os dois lotes fundidos supera o resultado do lote isolado.

PendênciaÉ a versão a ser levada adiante. O único risco real identificado é liquidez — 18 unidades acima de R$ 6M concentram a maior parte do VGV.
06Itajaí Pégaso — GJV, cenário de 5 terrenos
Resultado validado
VGV R$ 140M · Lucro 35,2%

Supera o cenário alternativo de 3 terrenos do mesmo negócio, que rende 30,5%.

PendênciaRecalcular com um acréscimo de CUB realista — está lançado em 0% nos dois cenários.
07Itajaí Pégaso — Porto Belo (2026-71)
Resultado validado
Lucro 27,8%

A negociação mais detalhada encontrada em toda a carteira — permuta descrita unidade a unidade, por proprietário, com ITBI e aluguéis já modelados no estudo.

PendênciaFechar o parâmetro urbanístico antes de avançar: o coeficiente construtivo usado está em cerca de 200% do declarado no passo 02 do template.
08Curitiba — Eurides Cunha, Vila Izabel
Resultado validado
VGV R$ 80M · Lucro 29,3%

Estrutura de aquisição enxuta — aporte de apenas 8,6% do VGV.

PendênciaLevantar a área real do terreno — hoje só a matrícula está preenchida — e a taxa de permeabilidade, ainda vazia.
09Florianópolis — Trindade, Milton Sullivan (22.621 m²)
Resultado validado
65,6 mil m² de potencial construtivo

O terreno mais denso de Florianópolis na carteira — apenas 47% do coeficiente construtivo usado no estudo atual.

PendênciaÉ o estudo urbanístico mais avançado da unidade; falta fechar o passo financeiro (VGV, permuta, resultado).
10Balneário Piçarras 61 — Nereu Ramos, 930 m²
Resultado validado
VGV R$ 69,7M contra custo de R$ 26,4M (2,6×)

A única planilha, entre as 26 estudadas na unidade Barra Velha/Piçarras, com resultado financeiro pronto.

PendênciaA matrícula do terreno está vazia — precisa ser levantada antes de qualquer negociação.
Ponto em aberto — maior divergência entre coeficiente permitido e coeficiente usado
Rio de Janeiro — Cascadura (Guanabara)

O coeficiente construtivo permitido é de 10,5, e o estudo atual usa apenas 13,6% dele. Ou há um erro de parâmetro no estudo, ou existe um potencial de aproveitamento cerca de 7 vezes maior que nunca foi investigado. É o ponto que mais precisa de verificação em toda a auditoria antes de qualquer conclusão.

Premissa a verificar — margem alta demais para confiar sem checar

Axion — SOC Fazenda
VGV de R$ 3,14 bi e lucro de 42,4% — mas o preço de venda por m² é quase o dobro da praça de Itajaí, e a soma das linhas do passo 05 não bate com o total declarado (diferença de R$ 42,6M).
Itajaí Brava “boutique”
Mesmo terreno do item 01 acima — lucro de 46,4% usando apenas 16% do coeficiente construtivo, a R$ 28 mil/m², acima da faixa de mercado.
Praia Brava EBC
Lucro de 44,4% — o preço médio por m² declarado no resumo não bate com o VGV dividido pela área privativa.
Penha 526
39,2% de lucro com o terreno custando apenas 4,6% do VGV; com o valor de permuta real, a margem cai para 28%.
Jurerê “Básica”
41% de lucro comprando o terreno abaixo da própria referência de mercado citada na planilha.
Pelotas — SFP 3825
28,8% de lucro com terreno avaliado a R$ 740/m²; com o valor de permuta real, a margem cai para 5,6%.
Colinas de Camboriú (0A)
Lucro de R$ 283M sustentado por um %CUB de 106% — custo de obra abaixo do que a régua de sanidade recomenda.

Parâmetro estourado — não usar sem refazer o estudo

Pelotas — Padre Anchieta
Lucro negativo nos cenários de referência; coeficiente construtivo estourado em 131%.
Pelotas — Dom Joaquim
Margem de 9,98%; apenas 32% da área construída é privativa (vendável).
Balneário Camboriú — Piriquito
Zoneamento de Itajaí lançado num terreno de Balneário Camboriú; coeficiente usado a 341% do permitido.
Barra Velha 68 / 69 / 70
Pavimentos de 188% a 440% do permitido; R$ 1,23 bilhão de custo modelado sem uma única linha de receita.
Rio de Janeiro — Santa Cruz (280 mil m²)
VGV de R$ 1,7 bilhão em estudo de massa ainda cru; 5.720 unidades previstas numa única fase de obra.

Benchmarks internos que a carteira revela

Onde os estudos fecham de ponta a ponta, os números convergem para uma faixa parecida — isso vira a régua para julgar os próximos.

25–31% do VGVLucro líquido saudável. Abaixo de 25%, o terreno está caro; acima de 35%, a premissa é suspeita.
9–15% do VGVTerreno (permuta + aporte). Permuta acima de ~17% derruba o lucro para abaixo de 25% — visto em Juvevê (18% → 21,8%) e Dário Velloso (17,6% → 24%).
110–120%%CUB — o indicador de sanidade do próprio template, hoje ignorado na maior parte da carteira.
≤ 50% do VGVCusto de obra. Dom Joaquim, com 62%, é inviável; Rio Tavares, com 48%, já está no limite.
18 + 36 mesesPrazos do template v11 (lançamento + obra) — o padrão 36+60 do template v10 é ficção, não estimativa.

Correções estruturais e propostas

De um lado, as correções que decorrem diretamente do diagnóstico acima. Do outro, espaço para as propostas do Diretor de Operações e do Gerente de Projetos — a decidir na reunião.

Correções recomendadas — Claude

01
Migrar toda a carteira para o template v11E corrigir nele, de uma vez: a fórmula de diferença matrícula×real, a aba Proprietário (#REF!), o subtotal do mezanino e o passo 04.
02
Checklist de abertura de estudoCinco minutos, cinco itens: identificação atualizada · matrícula e medição real preenchidas · zoneamento conferido no plano diretor vigente · permeabilidade, lazer e vagas preenchidos · prazos realistas.
03
Trava de sanidade antes de apresentar%CUB dentro da faixa · pavimentos e coeficiente até 100% do permitido · R$/m² com 1 benchmark da praça anotado · terreno até 15% do VGV, ou justificativa registrada.
04
Regra de versão única por terrenoUm arquivo oficial; cenários alternativos rotulados (ex: [0A]/[0B] com a linha "vale esta"); versões antigas movidas para uma pasta OLD. Casos a resolver já: BFP, Atibaia, Barra Velha 73, São Roque, Palhoça, Dário Velloso 05×10, Axion 09×09 e 12×12.
05
Higiene do DriveApagar o arquivo "teste.gsheet" da raiz; identificar ou arquivar "LSN_3.xlsx"; renomear a pasta "07 - Colinas" se o conteúdo for de outro terreno; preencher ou remover as unidades vazias (Canela, Gramado, Penha).
06
Repetir esta auditoria de forma recorrenteA estrutura de leitura já está montada — pode rodar de novo sob demanda, a cada leva de estudos novos, como checagem de qualidade.

Propostas — Diretor de Operações & Gerente de Projetos

01
02
03
04
05

Espaço aberto — o que vocês dois enxergam na operação do dia a dia que este diagnóstico não capturou.

O que aprendemos fazendo essa auditoria

Antes de fechar — o que ficou claro olhando ~130 planilhas lado a lado, e não uma de cada vez.

O erro mais caro é o mais barato de evitar

Nenhum erro de cálculo encontrado é tão arriscado quanto um cabeçalho errado. Um quarto das planilhas carrega a identificação de outro projeto — cabeçalho e dado residual clonados de um estudo anterior. Isso não aparece numa checagem rápida; só aparece comparando muitas planilhas ao mesmo tempo.

O padrão só existe na carteira, nunca na planilha isolada

Obra de 60 meses, permeabilidade zerada, lançamento de 36 meses — cada planilha, olhada sozinha, parece uma decisão de projeto. Olhando as ~130 juntas, fica claro que é default de template que ninguém ajustou. O erro individual passa despercebido; o padrão sistêmico só aparece em escala.

A maturidade do template prediz a maturidade da decisão

Onde o time já migrou para o template mais novo — a v11, ou o modelo usado em Itajaí Pégaso — o financeiro fecha ponta a ponta: permuta, lucro, cenário alternativo. Onde ainda é o modelo antigo, o estudo para no meio do caminho. Trocar de template é a alavanca de maior retorno por hora investida.

Um resultado bom demais e um resultado real parecem iguais até auditar

Um lucro de 40%+ pode ser resultado real (Praia Brava) ou premissa quebrada (terreno subvalorizado, custo subestimado) — os dois têm a mesma aparência de "número bom" numa primeira leitura. Só verificando a premissa por trás dá pra separar um do outro.

Times isolados cometem os mesmos erros, de forma independente

Curitiba, Florianópolis, Rio de Janeiro, os dois núcleos de Itajaí — sem contato entre si — repetem os mesmos vícios. Isso descarta a hipótese de "pessoa descuidada" e aponta para o template e o hábito de copiar planilha como causa raiz.

Esta auditoria é repetível, e barata de repetir

Ler ~130 planilhas em paralelo levou uma sessão de trabalho, não semanas. Dá pra rodar de novo a cada leva de estudos novos, como checagem de qualidade recorrente, sem virar processo pesado.